30/07/2019 às 10h54
Nordeste é mais uma vez ameaçado pela seca

 

Nordeste é mais uma vez ameaçado pela seca

Em Sergipe, apenas 10% dos municípios estão em situação de emergência proveniente da seca ou estiagem

 

Dos nove estados da região, apenas Maranhão, Alagoas e Sergipe, além da faixa litorânea, estão com percentual de umidade dos solos favorável, acima de 20%, chegando a 30% em território Sergipano. Todas as demais áreas da região já se encontram afetadas, totalizando 844 municípios em situação de emergência. Em Sergipe apenas 8 municípios ainda estão em situação que demanda urgência: Poço redondo, Porto da Folha, Monte Alegre, Gararu, Canindé, N.S. da Glória, N.S. Lourdes e Carira.

Em dezembro do ano passado, Sergipe registrava índice pluviométrico 50% abaixo do esperado e, como consequência, agricultores tiveram perdas de animais e lavouras. Algo em torno de 233 mil pessoas, em 21 municípios, foram duramente castigadas. A região de Poço Redondo, no alto sertão do estado, muito sofreu com o esvaziamento de açudes e barragens, levando moradores locais a buscarem o auxílio de carros-pipa.

Este ano, entretanto, graças a intensidade dos índices pluviométricos, há comemoração por parte dos agricultores que se mantinham preocupados com a escassez de chuvas até maio. Os índices positivos resultam nas barragens e açudes cheios, assim como no campo verde. Em Itabaiana, município do Agreste, por exemplo, eram esperados 166 mm de chuvas, mas a intensidade chegou a 340 mm. Segundo dados do Monitor e Secas, Sergipe e Alagoas foram os estados que apresentaram, percentualmente, áreas com maiores volumes de chuva, o que se refletiu na saúde da cobertura vegetal.

Reflexos da seca na produção de Leite em Sergipe

Em Sergipe a incidência da seca é constante e provoca prejuízos para agricultores e pecuaristas, que sofrem com a perda do rebanho, acompanhada pela queda na produção da bacia leiteira, em consequência da escassez de alimento nos pastos. Porém, durante este ano o alto volume de chuva tem contribuído para amenizar os impactos causados pelo problema que acomete principalmente o alto sertão do estado.

Com o objetivo de ampliar o parque industrial do estado, além de gerar emprego e renda, no último dia 11, os estados de Alagoas e Sergipe assinaram o Protocolo ICMS 23/19, que permite que o leite in natura do estado vizinho seja processado em industrias sergipanas e retorne para o estado de origem, onde será comercializado. Os laticínios sergipanos têm capacidade de processar até 800 mil litros de leite/dia, mas o estado não tem esse volume de produção. A parceria reduzirá a mão de obra ociosa.

A produção de leite em Sergipe cresceu 28,5% no 1º trimestre de 2019, na comparação com o mesmo período de 2018. Nesse tipo de comparação, foi o segundo maior crescimento do Nordeste, só perdendo para a Paraíba (que possui uma produção muito menor que a sergipana). Em relação ao trimestre imediatamente anterior (4º trimestre de 2018), somente a Paraíba (+12,9%), Maranhão (+12,7%) e Bahia (+0,5%) registraram alta. Em Sergipe, a queda foi de 8,7%.

Dados de produção de Leite em Sergipe

Quantidade de leite cru produzido, resfriado ou não, adquirido (em mil litros)

UF

Trimestre

1º trim/18

2º trim/18

3º trim/18

4º trim/18

1º trim/19

Maranhão

16.130

15.851

13.589

15.726

17.727

Piauí

3.876

3.897

4.395

4.666

4.282

Ceará

62.377

61.919

70.361

76.150

76.122

Rio Grande do Norte

16.221

17.974

18.921

20.617

18.548

Paraíba

13.964

15.647

15.577

17.181

19.403

Pernambuco

55.329

57.321

60.601

68.008

63.817

Alagoas

14.865

17.073

16.257

19.150

18.780

Sergipe

37.353

42.927

52.446

52.550

47.989

Bahia

112.842

101.233

98.942

114.645

115.230

Fonte: IBGE - Pesquisa Trimestral do Leite.

 

Cenário da produção de Cana no período de estiagem

A cultura da cana-de-açúcar é de grande relevância econômica em Sergipe, pois auxilia na geração de empregos para o cidadão com baixa escolaridade. O estado conta com cinco unidades industriais, sendo que duas produzem açúcar, etanol e energia (Usina São José do Pinheiro e Taquari), duas produzem Etanol e Energia (UTE - Iolando Leite e Campo Lindo) e uma é responsável pela produção de etanol e aguardente (Usina Junco Novo).

Porém, em decorrência da estiagem, a safra de 2018/2019 de produção de cana-de-açúcar atingiu quase 1,9 milhão de toneladas, maior que a safra anterior, mas menor que a estimada. A falta de chuvas no correr dos anos culminou na redução de produtividade, qualidade e rendimento dos canaviais.  Os problemas econômicos adicionais em muitas usinas motivaram desemprego e falência das unidades industriais, fazendo com que o Nordeste, antes destaque na produção de cana, perdesse posições no ranking nacional.

A produção de cana-de-açúcar em Sergipe, na safra 2018/2019, chegou a quase 1,9 milhão de toneladas, registrando crescimento de 10,3% sobre a safra anterior. Um dos derivados da cana mais consumidos, o açúcar, teve um acréscimo de 3,2%; já a produção de etanol hidratado, aquele utilizado diretamente nos veículos, aumentou 77,4%, no mesmo intervalo de comparação; por outro lado o etanol anidro, que é misturado à gasolina, registrou uma queda 20,5% na produção.

Moagem de cana de açúcar - em Sergipe

Período

Cana-de-açúcar (mil toneladas)

Açúcar (mil toneladas)

Etanol Anidro (mil m³)

Etanol hidratado (mil m³)

Safra 2017/2018

1.719

96

24

46

Safra 2018/2019

1.896

99

19

82

Fonte: UNICA (União da Indústria de Cana-de-Açúcar).

A seca do Nordeste, muitas vezes mencionada como “patrimônio da região”, devido à recorrência do acontecimento, tornou-se um dos maiores desafios para o governo federal. O presidente Jair Bolsonaro tem como referência uma das tecnologias mais avançadas do mundo, realizada em Israel, que consiste na dessalinização da água. O primeiro Centro de Testes de Tecnologias de Dessalinização de água (CTTD) já foi inaugurado no estado da Paraíba e a expectativa é de que a evolução se estenda para todo o Nordeste.

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